Todos nós temos um "Dark side", um lado negro que não nos orgulhamos claro, afinal é um lado negro...mas ele faz parte de nós , e está ali nas nossas entranhas, é ele que nos faz mais humanos, mais normais, e nos consola quando temos acessos e ataques de fúrias e similares.
Na maternidade não é diferente, ele também existe, e não estou falando de depressão pós parto, porque isso é realmente um problema e uma disfunção, estou falando daqueles pensamentos que nos acompanham nos momentos mais duros.
Antes da Helena nascer eu pensava muito na depressão pós parto, e ficava pensando se a teria, e qual seria minha reação ao ver a Helena, se ia rejeita-la, e etc.. Acho que pensamentos que no fundo fazem parte de todas nós. Graças a Deus nada disso aconteceu e meu amor pela "D.Potoquita" foi instantâneo e radical.
Mas o meu "lado negro" após o nascimento dela existe, e eu não amar ela cegamente o tempo todo me pareceu muito normal, e quando tenho momentos que gostaria que ela estivesse ainda na minha barriga para eu poder dormir um pouco, ou ver algum programa na tv, também me parecem perfeitamente normais, e tenho muita coragem para falar disso, tendo em vista que toda a mãe se cobra muito em amar seu filho o tempo todo, em tempo integral e se culpa muito em querer fazer algo que não incluía o filhote.
É humanamente impossível você amar uma pessoa o tempo todo e nunca ter sentimentos negativos e sim, as vezes eu me pego mega irritada quando Helena começa a falar "Manhêeee" 100 vezes seguidas enquanto estou bem ao seu lado perguntando o que ela quer, sou maluca? acho que não?
E quando você dá mamar pro bebê as 23:00 da noite, o coloca para dormir, e tem aquela sensação de vitória, afinal você esta exausta, e aí ele começa a chorar, quer mamar de novo, e você quer cuidar dele, quer alimenta-lo, mas ao mesmo tempo está tão cansada... nossa isso não é conflitante? Louco ou pelo menos de enlouquecer? você "quase", digo "quase" desejaria que ele não tivesse nascido.
Se você for honesta consigo mesma, verá que terá momentos que a única coisa que você quer é colocar o pé pra cima e relaxar e quando não conseguir isso, ter "pensamentos dark" do tipo: - Podia aparecer alguém e levar esse bebê pra dar uma volta- sem se sentir uma monstra por isso. Fora que terá dias que o seu bebê se transformará no "monstro", jogará comida na sua cara, no chão,(depois de você ter acabado de passar pano), fazer altas birras e você vai ter vontade de esganá-lo! você se culpará por isso? porque eu não conheço uma criança que algum momento não tire sua mãe do sério, e essas mães geralmente pensam- " O que eu fiz pra merecer essa criança?"
“Ser capaz de tolerar os sentimentos de amor e ódio, que aparecem em momentos diferentes da nossa vida, sem que um sentimento destrua o outro, é um sinal de boa saúde mental. Negar ou suprimir qualquer um dos dois leva a relacionamentos desgastados e rígidos, nos quais a pessoa não vive sua realidade emocional por completo.”
(Trecho do Livro : The Monster Whitin: The Hidden Side of de Motherhood- Barbara Almond)
Quando o "Lado negro" aparecer é preciso se perdoar e não considerar isso um crime, a maioria de nós amamos nossos filhos boa parte do tempo, mas não o tempo todo.
E se você está confusa, impaciente, questionadora, pode sempre recorrer às amigas com filhos, amigas mais velhas com filhos, com profissionais que te dirão o quão normal é isso, descanse um pouco, tenha um tempo para você, isso é o principal. O estresse e o cansaço são fatores que nos levam a esse lado "negro", mas sempre que precisarem, vocês podem ler o meu blog ou dar uma olhada no Recanto das Mamães Blogueiras. Aposto que vai ajudar de alguma forma!
Eu sou a Karine mamãe mais que apaixonada da Helena, meu maior amor, meu mundo!!!!
Trabalho como Gerente da Loja Uncle K (de bolsas e acessórios, conhece? rsrs) e sou casada há 8 anos. Moro no rio de janeiro, no lugar mais frio por aqui, no Alto da boa vista!!!
Um beijão,
Kaka
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