Vamos a minha modesta opinião:
Além de ficar chocada com algumas declarações da reportagem (principalmente dos "profissionais" que foram entrevistados, um horror né?!), interpretei como se a reportagem enaltecesse as mães que não amamentam, e que as propagandas do governo de apoio ao aleitamento materno exclusivo são constrangedoras e não ajudam as mães, é isso?
Confesso que quando eu fiz a faculdade, mesmo estudando os problemas que podem ocorrer e prejudicar o sucesso da amamentação tive uma visão bem fantasiosa da realidade, tanto que colegas minhas de profissão me questionaram quando eu relatei as minhas dificuldades em amamentar (contei aqui, aqui, aqui e aqui...). Acho que os profissionais deveriam ser melhor preparados para lidar com esta fase tão delicada da maternidade.
Não vou julgar as mães da reportagem, li que algumas não puderam amamentar mesmo, outras não quiseram, mas quem sou eu para julgar? Eu sei muito bem que amamentar não é fácil.
Lembro que quando estava grávida presenciei uma conversa entre duas mães mais experientes, e ambas disseram que odiaram amamentar, e que só o fizeram até o quarto mês por amor aos filhos e por obrigação. Na época fiquei chocada, mas hoje não julgo, não mesmo! Cada um possui uma resistência a dor, cada um tem suas prioridades.
As minhas dificuldades (dor na descida do leite, fissuras,escassez) foram até o final do terceiro mês. Só fui sentir o tal prazer em amamentar depois de 4 longos meses.
E houveram momentos em que eu achava que ele não me amava, que eu era só um peito para ele? Claro que não, embora eu tenha ouvido isso de expectadores nem um pouco sensíveis, em mais de uma oportunidade! O apoio do círculo social é muito importante, principalmente da família.
Quanto ao vínculo que se estabelece, este é real, inclusive fiz uma pesquisa na faculdade em uma disciplina chamada "psicologia aplicada a nutrição" que falava sobre isso, mas nem por isso sinto que sou mais ou menos mãe do que ninguém só por amamentar.
A meu ver, boa mãe é aquela que se dedica. Que pensa no filho, que ama, que educa, que se abstém de tudo em prol do seu herdeiro, que defende, que trabalha pelo seu filho ou que fica em casa pelo seu filho, que dá o peito, a mamadeira, o que quer que seja pensando no bem do seu. É isso. E quem nunca errou mesmo tentando acertar? E quem disse que todas conseguem? E quem disse que é fácil?
Hoje o meu filho tem 7 meses, mama no peito e está iniciando aos poucos e com muita calma no mundo dos alimentos complementares. Amo amamentar, e confesso que já fui do tipo que achava estranho uma criança de dois anos mamando no peito, porém hoje já reconsidero a minha opinião, embora já tenha ouvido comentários de pessoas sem informação querendo que eu pare de amamentar, ou por ele ser grandão, e parecer ter mais do que apenas 7 meses, ou por ser melhor desmamar enquanto é cedo, enquanto ele não entende. Digo uma coisa: ele entende sim, e muito bem! E mais: além de fazer um bem danado para ele, me faz muito bem ter aquela mãozinha fofa me dando carinho, aquele narizinho gelado encostado na minha pele, aquele suspiro de satisfação, ver o quanto ele se acalma instantaneamente sempre que é colocado no meu peito e outras tantas demonstrações de amor que temos um pelo o outro nesses momentos que são só nossos.
Por enquanto seguimos assim: está bom para ambos, estamos ambos satisfeitos, felizes e confortáveis. E cabe a ambos a decisão de mudar isso.
Arthur, o nenê-mamão aos 7 meses.
beijos!
Bia


