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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Quanto as vacas

Pois é, o debate ferveu aqui na blogosfera sobre o artigo publicado no jornal Diário de São Paulo, no último dia 14! (matéria aqui)


Vamos a minha modesta opinião:

Além de ficar chocada com algumas declarações da reportagem (principalmente dos "profissionais" que foram entrevistados, um horror né?!), interpretei como se a reportagem enaltecesse as mães que não amamentam, e que as propagandas do governo de apoio ao aleitamento materno exclusivo são constrangedoras e não ajudam as mães, é isso?
Confesso que quando eu fiz a faculdade, mesmo estudando os problemas que podem ocorrer e prejudicar o sucesso da amamentação tive uma visão bem fantasiosa da realidade, tanto que colegas minhas de profissão me questionaram quando eu relatei as minhas dificuldades em amamentar (contei aqui, aqui, aqui e aqui...). Acho que os profissionais deveriam ser melhor preparados para lidar com esta fase tão delicada da maternidade.

Não vou julgar as mães da reportagem, li que algumas não puderam amamentar mesmo, outras não quiseram, mas quem sou eu  para julgar? Eu sei muito bem que amamentar não é fácil.
Lembro que quando estava grávida presenciei uma conversa entre duas mães mais experientes, e ambas disseram que odiaram amamentar, e que só o fizeram até o quarto mês por amor aos filhos e por obrigação. Na época fiquei chocada, mas hoje não julgo, não mesmo! Cada um possui uma resistência a dor, cada um tem suas prioridades.

As minhas dificuldades (dor na descida do leite, fissuras,escassez) foram até o final do terceiro mês. Só fui sentir o tal prazer em amamentar depois de 4 longos meses.
E houveram momentos em que eu achava que ele não me amava, que eu era só um peito para ele? Claro que não, embora eu tenha ouvido isso de expectadores nem um pouco sensíveis, em mais de uma oportunidade! O apoio do círculo social é muito importante, principalmente da família.
Quanto ao vínculo que se estabelece, este é real, inclusive fiz uma pesquisa na faculdade em uma disciplina chamada "psicologia aplicada a nutrição" que falava sobre isso,  mas nem por isso sinto que sou mais ou menos mãe do que ninguém só por amamentar.
A meu ver, boa mãe é aquela que se dedica. Que pensa no filho, que ama, que educa, que se abstém de tudo em prol do seu herdeiro, que defende, que trabalha pelo seu filho ou que fica em casa pelo seu filho, que dá o peito, a mamadeira, o que quer que seja pensando no bem do seu. É isso. E quem nunca errou mesmo tentando acertar? E quem disse que todas conseguem? E quem disse que é fácil?

Hoje o meu filho tem 7 meses, mama no peito e está iniciando aos poucos e com muita calma no mundo dos alimentos complementares. Amo amamentar, e confesso que já fui do tipo que achava estranho uma criança de dois anos mamando no peito, porém hoje já reconsidero a minha opinião, embora já tenha ouvido comentários de pessoas sem informação querendo que eu pare de amamentar, ou por ele ser  grandão, e parecer ter mais do que apenas 7 meses, ou por ser melhor desmamar enquanto é cedo, enquanto ele não entende. Digo uma coisa: ele entende sim, e muito bem! E mais: além de fazer um bem danado para ele, me faz muito bem ter aquela mãozinha fofa me dando carinho, aquele narizinho gelado encostado na minha pele, aquele suspiro de satisfação, ver o quanto ele se acalma instantaneamente sempre que é colocado no meu peito e outras tantas demonstrações de amor que temos um pelo o outro nesses momentos que são só nossos.
Por enquanto seguimos assim: está bom para ambos, estamos ambos satisfeitos, felizes e confortáveis. E cabe a ambos a decisão de mudar isso.
Arthur, o nenê-mamão aos 7 meses.

E vocês? Leram? Quais as suas opiniões a respeito?


beijos!


Bia

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Mais sobre o tempo

Percebi que quando se trata de mãe o assunto tempo rende.

Pois bem, já me peguei reclamando da falta de tempo, de não poder fazer as unhas, de não ter tempo para mim.
Eu me preparei para ser mãe. Esperei até os 30, para estar madura. Mudei de profissão, para ter tempo para ele. Mudei de cidade, para estarmos seguros. Agora estou mudando de casa. E sei que as mudanças não param por aí!
Meus assuntos mudaram, minhas prioridades mudaram! O meu corpo mudou, minha alma mudou: está mais leve.
Sou muito mais segura, e ao mesmo tempo tão insegura, tão cheia de culpas e medos pelo meu filho!
O tempo por aqui é relativo, passa rápido, é artigo caro e importante. Mas não é assim? O tempo não tende a passar depressa quando fazemos aquilo que amamos?
Arthur completou 7 meses esta semana, e eu nunca estive tão sem tempo. Nem tão feliz.

beijos

Bia

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A blogosfera e as diferenças

Eu sempre li muito. Comecei a acessar blogs em 2004. Lembro que desde sempre o que mais me encantou na blogosfera foi o fato de parecer um grande livro que vai sendo escrito dia a dia, a várias mãos, com várias histórias diferentes, que vão do drama ao cômico e que sempre me ensinam muito. Assim como os livros, ora eu concordo, ora discordo, ora a narrativa se torna cansativa e não chego ao final do texto, ora parece que aquele post foi escrito para mim.
Ainda leio de tudo, mas desde que comecei a pensar em ser mãe acabei me voltando mais ao universo materno dos blogs, e só aí comecei a perceber como somos similares. Como pode né? Eu moro aqui, no interior do Rio Grande do Sul, e as minhas angústias são as mesmas daquela mãe que mora lá em Massachusetts... E quem diria que me tornaria amiga de alguém de lá?
E tem todo o tipo de mãe, não é? Tem as naturebas, as carolas, as exageradas, as despreendidas, as emancipadas, as despreocupadas, as exageradas, as doutrinadas por livros...
E como em toda grande família temos as discussões! É aquela que briga com quem não fez parto normal, é a outra que se enfurece com quem deu a papinha antes, uma coisa :)
Eu mesma confesso que já me peguei teorizando demais, sou a favor do aleitamento materno a livre demanda, contra alguns livros de auto ajuda, a favor do colo, contra deixar bebês assistirem tv, contra alimentos industriais e a favor da alimentação complementar só a partir do sexto mês. Mas hoje sei que esses são os meus conceitos. Claro que na parte da alimentação me dói um pouco mais, pois sou nutri e tenho certeza do que falo, mas em relação aos outros assuntos eu sou tão leiga quanto qualquer outra mãe, e que direito eu tenho de dizer que do meu jeito é melhor?
O que eu acho mais legal nisso tudo é a grande rede de trocas de experiências, é poder conviver (mesmo virtualmente) com tantas pessoas diferentes e me sentir pertencente a tantas famílias legais. É acordar de madrugada pensando em contar isso para vocês. É ver as coisas sobre outro prisma, ler cada comentário com gostinho de quero mais. É fazer parte!

beijos!
Bia



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