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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Carta para um filho, desabafo de uma mãe...


Por Áries, do blog **Princesinha Mel**


 Meu lindo filho, você foi tão desejado, esperado, planejado e muito, muito amado. Curti cada dia meu barrigão, sabia que um dia sentiria falta do meu pé inchado e da azia que tanto me incomodava. Tirei várias fotos para guardar de lembrança desse momento mágico e jamais imaginei que te perderia...
Fui para a maternidade sentindo fortes dores, fui ter você, papai voltou para casa, pois teria que trabalhar. Me colocaram no soro, as dores ficaram mais fortes, era você chegando, não via a hora de ver seu rostinho, te pegar, te sentir...
Logo você nasceu, foi difícil, mas você chegou.                  
A dor foi forte, mas a vontade de te ter foi maior.
Você  fraquinho nem chorou direito, ali eu fiquei e te levaram de mim, nem sequer mostraram você para mim.
 A Drª veio dizer que você era pequeno demais, fiquei preocupada mas confiante. Fiquei sem você na enfermaria, depois pude te ver na UTIN. Como eu chorei ao te ver pela primeira vez, tão pequeno e já cheio de agulhas, sentia emoção e dor, mas você estava ali, minha vidinha, meu pequeno, meu filho, meu bebê.
Voltei para a enfermaria sem você, chorava sozinha, sentia sua falta, suas roupinhas ainda na bolsa. Tive alta e você ficou. Que dor chegar em casa sem você...
Todos os dias ía no Lactário tirar leite para você, chorei quando consegui tirar a primeira gota, era com esse leite que eu imaginava que você fosse pegar peso e ficar forte para vir para casa.
Sentíamos sua falta, seu pai e eu queríamos você aqui, sofríamos te vendo naquela incubadora mesmo sabendo que era para o seu bem. Desejávamos ter você, pintamos o quarto de azul, não tínhamos muita coisa, mas o pouco foi preparado com muito amor e carinho. Não foi do jeito que seu pai e eu queríamos, você não ficou com a gente, você se foi, perdemos você, eu nem te peguei, nem te abracei, nem te amamentei, não senti o calor do seu corpinho, não te beijei, seu pai também não...
Mas te amamos muito e sofremos muito, a dor de te perder é imensa, é uma dor tamanha que dói na alma, profunda, um pedaço da gente se foi, mas você está aqui dentro de nossos corações, do nosso pensamento. Saudade, lembrança, falta, muita falta.


Paulo Pimenta Niz Neto, meu filho, tive você em 2007 e o perdi com dezessete dias de vida, você nasceu após uma gravidez de nove meses, pesando apenas 1.200kg, tive pressão alta e pré eclampsia.

Você surgiu de um sonho, nasceu do meu ventre e invadiu minha alma, criança doce, serena e calma.
Sorriso de minha esperança, amor do meu coração, meu filho, minha criança, minha maior realização.
Lindo como um príncipe verdadeiro, raio de luz, meu anjo sua alegria até a tristeza seduz.
Quando converso com DEUS, não esqueço de agradecer, por trazer à minha vida, esse lindo e pequeno ser.
Quanta dor, quanta agonia, para sempre vou sentir, acabou minha alegria, no dia em que te perdi.
Nove meses eu senti, momentos de emoção, meu filho estará sempre vivo, dentro do meu coração.
Eu posso, eu consigo, eu quero, eu vou.
Feche os olhos, veja o sol como ilumina, como aquece, ele te enobrece, te traz força e te diz:"você pode".
Você diz a ele:"eu posso, eu consigo, eu quero, eu vou".
A luz invade meu quarto, mais um dia, respiro fundo, sem saber, olhar perdido, passos confusos, espero uma palavra, um sinal, um chamado...
Acalmo-me, procuro um papel, uma caneta, sem saber o que escrever, são tantas dúvidas, tantas incertezas, não sei o que sinto, mas algo dentro de mim procura a verdade e me vejo assim... sentada, confusa e tão certa, buscando a razão, vivendo a emoção, nos erros me conserto, nos acertos me questiono.
A fragilidade me habita, me conforta, me amedronta, num segundo que se passa sou outra, me escondo.

Eu te vi de olhinhos abertos apenas umas duas vezes, em uma delas você olhou para mim, chorei de soluçar, só Deus sabe o quando eu sofri, a dor era tão imensa que chegava a doer no mais profundo do meu ser, no mais profundo da minha alma.Sonhava com o dia da alta, me falaram que talvez tivesse alta em trinta dias, sobreviveu apenas dezessete. Quando soube que havia perdido a batalha, meu chão se abriu, meu mundo desabou, fiquei perdida, sem rumo, sem direção, sem motivos para viver, meu mundo colorido ficou em preto e branco, me faltava um pedaço, arrancaram parte do meu coração, parte de mim se foi e eu nem tive a oportunidade de dar um abraço gostoso, de beijar e dizer  o quanto eu o amava, o quanto eu o esperava, o quanto era desejado.
Você não soube que o quartinho já estava azul, preparado te esperando, tínhamos poucas coisas, mas tudo feito com todo amor de uma mãe e um pai.
Você não soube que mesmo com meu barrigão prestes a dar à luz ajudei seu papai e preparar a casa para sua chegada, apenas eu e seu papai, ninguém nos ajudou. Viramos a noite pintando, limpando, arrumando tudo para recebê-lo num ambiente agradável e você nem veio para casa. Preparei as bolsas para levar para a maternidade, as roupinhas lavadas e passadas, já com cheirinho de bebê mesmo antes serem usadas.
Após o parto,  fiquei numa enfermaria com mais quatro mãezinhas, elas com seus bebês, apenas eu sozinha, nos três dias antes de ter alta.
Algumas reclamavam de seus bebês que choravam quase que a noite toda não as deixando dormir, e eu naquele momento faria qualquer coisa para que você, meu filho estivesse ali comigo mesmo que não me deixasse dormir, o que eu mais queria era ter você em meus braços. Tinha dois  horários de visitas, pela manhã e à tarde, eu só o via nesses horários. Só podíamos entrar na UTIN (Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal) com máscaras nos rosto, lavar bem as mãos, algumas mamães pegavam seus bebês, eu não, mal o tocava com os dedos e chorava desesperadamente, me doía vê-lo naquela situação, tão pequeno, tão frágil, tão indefeso e sofrendo pela vida, foi em vão. Me dói hoje recordar.
Quantas lágrimas derramei depois que o perdi e voltei para casa sem você.
Tudo preparado esperando por você e tudo havia acabado naquele momento que o perdi.Não morri por que Deus não deixou. Tinha consultas no posto de saúde, lá via mães com seus bebês nos braços e o desespero me tomava, entrava numa sala e chorava desesperadamente de soluçar, as pessoas me olhavam algumas sem entender, sem saber a razão. Procurei a psicóloga no posto, foi o que me ajudou um pouco.
Nas consultas falava com a psicóloga que todo menino que eu via, lembrava de você, o imaginava andando, falando, saudável, mas quando caía na realidade tudo havia acabado, eu chorava o tempo todo, minha vida era chorar, bastava ver um menino.
Perguntava o tempo todo porque aquilo aconteceu comigo?
Sem respostas eu ficava.
No começo não me conformava, porque uma amiga que estava tendo seu quarto filho não perdia e logo eu que tive o primeiro perdi? Porque uma amiga poderia ter três, quatro, cinco filhos e eu não pude ter o meu?
A cabeça ficava confusa, tantos pensamentos loucos, tanta dor, tanto desespero e eu me sentia só.
Meu esposo parecia forte, mas por fora, eu nem por fora parecia forte. Quando pedi forças a Deus, pedi que colocasse paz em meu coração, voltei para a igreja que estava afastada, mudei meus pensamentos, entendi que tudo está nas mãos de Deus e ELE sabe o porquê de todas as coisas. Mudei muito depois desse fato, depois de tanta dor. Hoje reflito muito sobre todas as coisas, não faço mais as bobagens que fazia, tinha uma cabeça infantil de adolescente, depois disso amadureci. 
Dizem que HÁ MALES QUE VEM PARA BEM, foi preciso eu sofrer para mudar. Agora, dois  anos após sua perda, Deus nos deu Melynna, uma benção, um presente maravilhoso de Deus.Deus tem confortado nossos corações, Melynna veio para nos fazer feliz."Tudo está nas mãos de Deus".

Deus me mandou Melynna para que eu tenha um novo motivo para acreditar na vida e na felicidade. E eu hoje só tenho a agradecer a Deus por essa benção chamada MELYNNA.DEUS É MESMO MARAVILHOSO!!!

*A Áries é uma blogueira arteira, faz lindos bordados em toalhinhasmamãe super apaixonada da Mel.

Equipe Recanto

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Margarida... saudades


Fonte da imagem: Google

Tu, porém, irás em paz para teus pais; em boa velhice serás sepultado.
Gênesis 15:15

Margarida era o nome da minha querida avó materna.
Ela era analfabeta, mas sua sabedoria era imensa.
De tudo ela entendia um pouco e sempre gostava de opinar.
Certa vez um pedreiro estava fazendo uma pequena obra no seu quarto, então ela disse que fizesse diferente, pois daquele jeito não ficaria bom. Ele não deu ouvidos, dito e feito, o trabalho teve que ser refeito!!!

Foi a minha querida Vó Margarida que cuidou de mim quando pequena, pra minha mãe poder trabalhar.
Quando minha mãe chegava do trabalho eu ia correndo ao seu encontro, pois sempre alguma guloseima trazia, então minha Vó dizia: "Maria, não dá tanto doce pra essa menina."

Ao contrário de muitas avós, ela não fazia todos os meus gostos, sempre me dava conselhos e repreendia quando necessário. Já minha mãe fazia muito as minhas vontades....rsrsrs. Mas era porque tinha medo no fundo de eu querer mais a vovó do que a ela, hoje que sou mãe entendo isso.
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Mas não precisava o medo, sempre teve espaço pras duas!!!

Eu lembro de quando tive sarampo e ninguém podia me visitar pra não pegar a doença.
No quarto só entravam meus pais e minha avó. Ela ficava o dia inteiro comigo.
Nessa época eu já estava grande, minha mãe já trabalhava em casa, costurava, mas minha vó morava conosco e continuava ajudando a "cuidar de mim".
Ela sempre me contava muitas histórias e as minhas prediletas eram as da sua vida.
Até a adolescência eu pedia pra ela repetir aquelas histórias da sua vida na roça.
Tinha de tudo: aventura, romance, tragédia....dava pra rir ou chorar.
Era como estar lendo um livro, pois enquanto ela ia narrando, eu ia imaginando as cenas e os personagens.

Agradeço ao Senhor porque uma noite antes dela ir para o hospital disse-me que desejava tomar a santa ceia, pois sentia-se fraca e poderia não voltar mais de lá. Já estava ficando tarde e não tinha como eu pedir pra um pastor vir fazer isso, a não ser que ela tivesse dito mais cedo. Então fui na geladeira, peguei um suco de uva, depois um pedaço de pão e levei até a sua cama. Lá li as escrituras e orei com ela. Pedi que o Senhor aceitasse aquele nosso ato, pois era muito sincero. Ela então com muita fé comeu e bebeu. No dia quando ela foi pro hospital ela me disse assim: "Eu acho que não vou voltar mais. Eu então disse que mais importante do que viver, era dormir nos braços de Jesus. Nos despedimos e depois de alguns dias ela veio a falecer no hospital. 

Ela faleceu com 92 anos lúcida e com uma ótima memória.

Desejei compartilhar essas experiênicias vividas com a minha avó pois estou com muitas saudades dela. E para que possamos amar e valorizar todos os dias os nossos queridos que estão ao nosso lado.

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Abraços a todos e uma semana de paz e bençãos!

Carinhosamente...Cida do *Compartilhando...