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terça-feira, 10 de abril de 2012

Como ajudar um casal que acabou de perder um bebê

 Fonte: Revista Pais e Filhos

Esse mês de março foi muito difícil para mim, pois tive notícias muito tristes.
Três mães, três perdas.
E me vi numa situação delicada, e oferecendo conforto, amor e amizade.


Esse assunto é pouco falado, mesmo porque é muito difícil saber como ajudar alguém que perdeu um bebê.

Nunca sabemos o tamanho da dor da mãe ou do pai. E isso não depende da idade do bebê. Pode ter sido um aborto espontâneo com 10 semanas, pode ter sido uma complicação durante a gravidez, um bebê que nasceu morto ou mesmo um bebê que nasceu bem e morreu depois de dias ou meses.


O luto é difícil de ser vivido, mas é necessário.


Quando uma mãe, que acabou de passar por uma perda dessa, está vivendo como se nada tivesse acontecido, podemos começar a nos preocupar.


Com a palavra: Patricia Ferreira


As pessoas costumam dizer que quando nasce um bebê, nasce junto uma mãe... Quem fala isso nunca viveu a experiência da maternidade!

A mulher se sente mãe no momento em que abre seu coração e dispõe o seu corpo para gerar uma nova vida... E essa maternidade não se encerra com um aborto ou com a ausência do filho no colo no retorno do parto. Aliás, acredito que a maternidade não se encerra nunca!

Perdi o meu primeiro bebê na 11ª semana de gestação e, como tive a felicidade de descobrir que estava grávida com apenas duas semanas, pude curtir essa experiência por quase dois meses! E que experiência transformadora de vida!

O aborto é um misto de impotência, culpa, desesperança... Um vazio na alma! Sentia-me frustrada por não ter realizado o sonho do meu marido de ser pai, triste por não ter “conseguido” cumprir a gestação em sua plenitude e pequena, diminuída, infinitamente diminuída por não ter recebido meu filho em meus braços.

Ter fé nestes momentos é muito importante, pois a fé nos permite crer que vamos poder recomeçar. Mas comentários do tipo “ainda bem que foi no comecinho”, ou “que bom que você nem chegou a saber o sexo” machucavam quase tanto quanto a perda do meu bebezinho. E pior era: “mas você sabe o que fez de errado que aconteceu isso?

É preciso um mínimo de sensibilidade das pessoas para lidarem com o luto alheio, e muitas pessoas não têm ou não usam essa sensibilidade. Por outro lado, as palavras de incentivo e a troca de experiência com quem já passou pela mesma situação são restauradoras. Para o meu marido, que foi quem recebeu a notícia da perda e ficou responsável por me transmiti-la, foi extremamente importante poder dividir a dor com os amigos. Poder, principalmente, chorar... E ouvir que essa perda não encerra os sonhos.

Hoje me preparo para uma nova gestação que, espero, resulte numa criança linda e saudável! Mas ficarei sempre com a presença desta primeira experiência gravada no meu corpo e no meu coração!


Obrigada, Patricia, por sua coragem! Desejo a todos que passaram por isso que consigam passar pelo luto e andar para frente. E nunca perder a esperança na vida! 


Desejo paz e serenidade pras minhas amigas que estão vivendo esse momento difícil, peço a Deus que conforte cada coração.


Esse foi meu recado de hoje.

 


domingo, 17 de outubro de 2010

Aborto

           Nestes últimos dias de campanha eleitoral, veio a tona um assunto que me chamou a atenção: ABORTO.
            Antes de começar a aprofundar no assunto, vou deixar minha clara minha opinião: não faria um aborto, mas cada um é cada um.
            Todos os presentes candidatos vêm a publico a declarar que são contra o aborto, que é uma violência contra a mulher, que o aborto não deve ser descriminalizado. Então vamos aos fatos.
            Já que é o aborto é um crime, assim como roubar, matar, estuprar, não pagar pensão, destruir o habitat silvestre, não se deve prevenir a gravidez indesejada antes de se pensar em ser contra o aborto?
            Onde estão as políticas públicas para evitar crimes? E a educação para prevenção?
            Evitar a gravidez indesejada não é mais barato que pagar hospitais públicos cheios de mulheres para fazer curetagem ou até mesmo retirada de útero e ovários?
Sim, porque é isso que acontece quando abortos feitos em qualquer local, ou em casa mesmo, têm como consequência. Só para lembrar teve uma cena desta na novela das oito, a menina fica grávida, não quer o bebê, vai a uma clínica clandestina, faz um aborto, e vai parar dias no hospital. Felizmente era uma novela, felizmente era de mentira, felizmente ela ficou bem. E quando não há felizmente?
            Outro ponto a ser tocado é aquele que diz respeito aos métodos definitivos de prevenção a gravidez como a laqueadura e a vasectomia. Ah sim, o aborto também é assunto do homem, afinal todo mundo sabe como os bebês nascem.
            Ouvi uma certa vez, na periferia, duas mulheres conversando:
- Vou fazer a laqueadura que meu patrão vai me arrumar.
- Como assim te arrumar?
- Meu patrão é candidato, se for eleito, ele dá uma para mim.
            E por aí vai, ela conta que tem 4 filhos, fez dois abortos com agulha de tricô em casa mesmo, e que não sabe tomar o anticoncepcional. Veja bem, será que esses dois abortos não poderiam ser evitados se ela tivesse feito uma laqueadura? Se ela tivesse sido orientada a tomar o anticoncepcional e logicamente se ela tivesse acesso ao anticoncepcional de graça, pois com certeza ela não teria dinheiro para comprá-lo.
            Tenho também que lembrar que existem esses remédios que não podem ser vendidos, pois causam o aborto. E mesmo assim, todos nós sabemos, está a disposição no mercado negro para ser comprados e usados normalmente. Onde está a repressão a venda do tal remédio?
            Se o país é contra o aborto, por que afinal tantas mulheres o fazem? Será que se houvesse um plebiscito as mais de 3 milhões de mulheres que já fizeram um aborto (segundo estatísticas) seriam contra ou a favor de sua descriminalização?
            Pois não, mais uma vez, porque a educação e a prevenção não fazem parte da discussão sobre o aborto?

Ana Carolina @anacarolinaqui