domingo, 10 de abril de 2011

Exemplo

Post escrito por Beatriz Zogaib, do blog Vida da Mami


Quando não se tem filhos, exemplo nada mais é do que algo que serve para expressar ou mostrar algo, seja ele certo ou errado. Nada demais. Quando nascem os filhos, a palavra ganha um peso que dói nas costas. Exemplo ganha obrigatoriamente a carga positiva, tendo sempre que retratar coisas boas. E nem é preciso exemplificar que o pai e a mãe se sentem as pessoas mais responsáveis por dar exemplo.
Nossos pais sempre foram nossos exemplos, ainda que às vezes tenham sido daquilo que não queriam. Mas são. E, salvo exceções, sempre se preocuparam em ser. Quem sai da maternidade com um bebê no colo sente que a partir daquele momento é mais do que uma pessoa no mundo, é a pessoa do mundo daquele pequeno e indefeso ser. Eu senti mais que isso. Quando estava no carro, com meu marido e meu neném no colo indo para casa, com o carro da minha mãe seguindo ao lado, olhei para ela, para meu menino, para mim mesma e tive a certeza que ali eu havia entendido o que meus pais sentem por mim. Quanto eu significo, desde aquele instante, para ambos. Filhos chegam logo nos jogando na cara absolutamente tudo que vivemos lá atrás. Nos esfregam na face todo o amor que recebemos, todos os não que não entendemos, tudo que fica complicadíssimo compreender sem estar do outro lado da narrativa.
Passamos a carregar a vontade e necessidade de ser exemplar. Temos que ser, que dar, que mostrar. Até aí, é relativamente fácil. Torna-se algo natural, espontâneo e até produtivo, quando se escolhe isso. Escova-se mais os dentes, a alimentação tende a melhorar, falta de organização torna-se arma contra nós mesmos, consciência ambiental e social vira parte da rotina diária até na hora de inventar uma historinha. Difícil é controlar outros exemplos, que vem de fora. Isso é impossível! Filhos crescem e vão para a rua, conhecem gente de todo o tipo, lidam com os mais variados exemplos, em todo o lugar, inclusive no quarto, pela tela da TV ou do computador. Então, lá vem aquela velha história de que o importante é o que fazemos dentro de casa, a "base" que damos, os valores que passamos, a educação e a relação construída com todo o nosso amor e dedicação. Resolvido? Nem pensar.
O que foi ensinado ajuda muito, mas só o tempo vai mostrar se o resultado será o esperado. Erramos, mesmo sem querer. Porque mesmo acertando podemos gerar uma reação contrária. Porque damos exemplos nem tão certos e até bem errados sem perceber. É tão natural e espontâneo quanto tentar ser o espelho bom o tempo todo. E, se algum erro vai resultar no erro deles, isso é pergunta para o tarô. Ai daquele que acertar!
Contra toda essa responsabilidade e seriedade que nos é dada quando deixamos de ser filhos para sermos pais, vem toda a naturalidade de uma vida que surpreende, ensina, alegra, derruba, levanta, guia e se deixa guiar. Penso que dar exemplo é fundamental. Bons e até os ruins. Quando filhos crescem, usam o que é positivo como norte e o negativo como sul. Buscam o que acham exemplar, fogem daquilo que não acham. Mesmo quando o pai e a mãe tem a certeza que estão acertando, na visão do filhinho crescido, podem estar muito enganados e tudo ao contrário também. A boa notícia para filhos é essa: que, quando adultos, usamos o que queremos e o que se adéqua à nossa vida e jogamos fora o que não se encaixa. A boa notícia para pais é que a parte de jogar fora não é assim tão simples...
Todo o nosso esforço na maternidade e paternidade é de muito valor. É extenuante em certos momentos, mas ao longo dos anos percebe-se que vale cada gota de suor, cada noite sem dormir, cada livro lido, cada conversa com comadre. Vale toda a preocupação e exigência, com eles e conosco. Porque a base deve ser sólida para que quando estiverem sobre ela, as "crianças" não escorreguem. E mais que isso. Para que a palavra exemplo não se torne sinônimo de ídolo. Pois todo ídolo deve ser exemplo, mas nem todo exemplo deve ser ídolo.
Pode gostar de reality show e torcer para o participante mais fútil por pura empatia. Pode ouvir músicas da banda cheia de cantores que usam calças coloridas. Pode ficar na rede de relacionamento sem dar um pio que preste. Pode ter a maior diversidade de amigos. Mas não pode idolatrar tudo. Pode e deve respeitar sempre, sem pré nem pós-conceito, mas não pode seguir exemplo que não mereça ser seguido. Não precisa apontar o dedo para o que é certo e errado (conceitos que mudam de endereço), mas analisar criticamente, com tudo aquilo que foi aprendido com a família e com a sua trajetória, com o coração e a razão. Pensar crítico não é ser crítico. É escolher seu caminho sem obstruir o caminho do outro.
O que não pode é o filho carregar a rigidez e exigência imposta por nós, pais, pela vida toda. Se nós pudemos errar como filhos e podemos como pais, porque não eles? A perfeição é imperfeita. E cada dia que passa só provam e comprovam como somatizamos tanta busca por ela. Ninguém é perfeito e exigir isso de quem quer que seja, incluindo de si próprio, não deve levar muito longe, visto que um passo dado não pode nos impedir de voltar atrás. A única verdade da vida perece ser a vida. E, se tem outra, é que, em determinado momento, todo ídolo perde a graça...


*Beatriz é jornalista, mãe 24hs, colaboradora assídua aqui no Recanto. Muito obrigada amiga, seus textos são sempre muito bem vindos!

Assim como a Beatriz, você também pode participar deste cantinho como colaboradora, envie seu email para recantodasmamaes@yahoo.com.br

Equipe do Recanto

sábado, 9 de abril de 2011

Este texto me fez lembrar do primeiro corte de cabelo do Marcelinho.
Ele sempre teve um medo danado de cabeleireiro. Leva-lo era o inicio de uma choradeira. Seu cabelo era bem fininho e caia sobre os olhos.
Um dia com medo de causar um trauma no menino pedi ao meu marido que o levasse junto quando fosse cortar o seu cabelo, assim talvez o Marcelo parasse de pensar que o cabeleireiro ia machucá-lo.

Qual foi minha surpresa quando o meu filho chegou com um corte super moderninho na época e melhor não derramou uma lágrima.
Hoje quando li esse texto achei incrível como todas as crianças passam pelo mesmo problema.

Leiam em REVISTA MAMÃE BEBÊ está em artigos

Em nossos 20 anos de trabalho com crianças e bebês a partir do primeiro mês de idade, nós do Dr. Cabelo Kennedy percebemos que muitas mamães adiam este momento por medo de que essa experiência se torne desastrosa e acabe em choradeira.
Vamos desmistificar algumas crenças e dar dicas para tornar esse momento agradável e cheio de brincadeiras, e o melhor: sem traumas!
Não existe idade apropriada para fazer o primeiro corte. Você saberá que precisa cortar o cabelo de seu bebê se ele estiver com falhas, nós, ou, é claro, muito comprido. Para preparar seu filhote para o primeiro corte, é importante conversar com o bebê, explicar que ele vai ficar mais bonito, que não dói e deixá-lo confortável.
Reserve algumas horas para isso, chegue mais cedo no salão para que o bebê possa se adaptar ao ambiente, às pessoas e para que ele possa brincar. Depois disso a criança começa a aceitar que cortem o seu cabelo em ritmo de brincadeira...quando percebe, tudo passou, e então chega o momento de convencê-la a ir para casa.

Muitas vezes, essa tarefa é a mais difícil! Mito ou verdade?
Desde crianças convivemos com inúmeros mitos e crenças envolvendo corte de cabelo.

Cortar o cabelo do bebê fortalece os fios?
Sim. O fio do cabelo do bebê é fraco, e a ponta acaba se deteriorando. Cortando, ao menos as pontas, você fortalece todo o cabelo desde a raiz.

Lavar o cabelo todo dia não é prejudicial?
Não há problema algum em lavar os cabelos todo o dia, o que não aconselhamos é dormir com o cabelo molhado.

Tirar as pontinhas do cabelo do bebê faz com que ele perca os cachinhos?
Ao contrário! Cortar as pontas do cabelo do bebê é importante para estimular o crescimento de fios fortes e saudáveis. Existem cortes que estimulam a formação dos
cachinhos.

Como lidar com as falhas e os nós que se formam no cabelo dos bebês a partir do primeiro mês de vida?
Primeiro, não tente desfazê-lo com o pente, pois isso arrancará os fios muitas vezes com a raíz, causando desconforto e dor ao seu bebê! A solução para isso é levá-lo até um profissional e cortar as pontas para estimular o crescimento forte e saudável dos fios. Para resolver as falhas, basta cortar de forma que o comprimento de todo cabelo fique igual

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ter filho te trouxe alguma infelicidade????


TER FILHO TE TROUXE ALGUMA INFELICIDADE???

Oi Gente!

Ontem na REVISTA SUPERINTERESSANTE saiu um box com uma pesquisa que dizia: "Ter filhos traz infelicidade". Um estudo da Universidade de Milão analisou casais de 94 países e constatou: As pessoas ficam mais infelizes quando têm filhos. Os pesquisadores atribuiram esse efeito às despesas geradas pelas crianças que levam ao empobrecimento e à queda na felicidade dos pais. Segundo o estudo ter filhos só traz felicidade à pessoas ricas ou viúvas.

Sinceramente nunca ouvi uma coisa tão absurda e ridicula como essa. Acho que esses estudiosos deveriam se preocupar em realizar pesquisas para colaborar com a educação e a saúde de forma geral ao invés de perder tempo com pesquisas infundadas.
 

É tão nítido ver que muitas pessoas humildes (pobres) podem ter 10 filhos e serem unidas e felizes e que muitas pessoas inteligentes (ricas) podem ter 1 filho e ser infeliz porque não tem tempo para a criança. Claro que cada caso é um caso, quando a gente tem dinheiro a gente consegue dar uma condição de vida melhor para nossos filhos. Podemos dar uma boa educação, viagens, brinquedos, alimentação saudável e rtudo que o dinheiro pode comprar.

Mas vemos todos os dias jovens ricos que matam os pais por falta de amor, jovens ricos que se envolvem com drogas e se sentem tão superiores que podem matar alguém por diversão e não serem punidos, jovens ricos que acham que os pais são somente uma carteira recheada de dinheiro. Isso é felicidade que filho traga para os pais? Já por outro lado vemos crianças pobres que só pelo fato de darem um sorriso para os pais deixam o dia deles muito mais felizes. Jovens pobres que se esforçam para passar numa faculdade do governo e fazem dos pais os mais realizados no dia de pegar o diploma.Isso sim é felicidade gratuita.

Claro que não podemos generalizar. Tem muita alegria em familias com dinheiro e muita tristeza em familias sem grana nenhuma, mas para mim esses estudiosos erraram feio. Ah redação! Vocês sempre tão seletivos e publicam uma babaquice dessas? Não tô podendo!

Rafinha me faz a pessoa mais feliz do mundoooooooooooo.


http://karineleopoldo.blogspot.com/
Ser mãe é sentir o coração doer de tanto amor!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quero proteger meu filho

Meu filho vai ter nome de santo

Quero o nome mais bonito.

É preciso amar as pessoas

Como se não houvesse amanhã

Por que se você parar pra pensar

Na verdade não há.

Me diz, por que que o céu é azul?

Explica a grande fúria do mundo

São meus filhos

Que tomam conta de mim.

Eu moro com a minha mãe

Mas meu pai vem me visitar

Eu moro na rua, não tenho ninguém

Eu moro em qualquer lugar.

Já morei em tanta casa

Que nem me lembro mais

Eu moro com os meus pais.

É preciso amar as pessoas

Como se não houvesse amanhã

Por que se você parar pra pensar

Na verdade não há.

Sou uma gota d'água,

sou um grão de areia

Você me diz que seus pais não te entendem,

Mas você não entende seus pais.

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo

São crianças como você

O que você vai ser

Quando você crescer?

Quero proteger meu filho

Como? Aonde?

Se somos capazes de gerar um filho, por que não somos capazes de protege-los para sempre?

Por que a frase tão repetida... Os filhos são do mundo..

De que mundo? Esse mundo que vivemos? Esse mundo que mata? Que faz mal? Que critica? Que briga? Que bate? Que magoa?

Pelo menos as crianças deviam ser poupadas, deviam ser cuidadas, deviam ser protegidas...

Por favor protejam suas crianças.

A familia perdeu seu valor, perdeu seu conceito, perdeu a dignidade de viver.
 
Sinto muitoooooooooooo pelos inocentes mortos por essa sociedade cruel, que criou esse monstro capaz de tirar a vida de crianças no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Obrigada meu Deus!

Texto escrito por: Débora Vieira do Blog: Amar Ser Mãe
Ela é jornalista e mora em Vila Real - Portugal
.

Desde que me tornei mãe, descobri que gerar e criar um filho é uma das melhores coisas da vida, senão a melhor.
Ser mãe é mesmo uma dádiva divina !
Um presente de Deus que nos preenche, nos realiza e nos traz uma felicidade imensurável.
Pouco importa as noites mal dormidas ou todas as privações que você passou a ter.
Tudo se paga ou se apaga com um simples olhar...
...com um abraço apertado que faz o mundo parar por alguns segundos...
Sou mãe babada, coruja confessa !
Completamente apaixonada e dedicada à cria !
Sou capaz de ficar minutos sem fim só olhando meu filhote brincar ou dormir.
Acho que se alguém me filmasse num momento desses ia captar uma mulher com cara de boba, com um brilho no olhar inconfundível.
Ser mãe, realizou-me de tal maneira, que não quero abrir mão desse papel por nenhum outro.
A mulher que, antes sonhava em desbravar os quatro cantos do mundo, hoje só pensa em descobrir um novo parquinho para levar o filho.
E vive imensamente feliz assim !
É por isso que, em muitas madrugadas, quando o Di ainda me acorda para vir para nossa cama e mamar, eu agradeço a Deus.
Sou muito grata por ter-me sido concedida essa benção que é ser mãe.
Por sentir um amor infinito...
Por ter um filho lindo, saudável e sapeca...
Por ver aquela carinha linda, que depois de mamar, enrosca-se todo para dormir agarrado a mim.
E quando estamos os três ali, aninhados, sinto-me a pessoa mais feliz do mundo.
É um momento que gostaria que se eternizasse quando estou agarrada ao meu pequeno, sentindo o cheirinho do seu pescoço, ouvindo a sua respiração...
Enquanto todos dormem, faço uma prece e agradeço a Deus por me permitir sentir tudo aquilo...
Agradeço também por todo o resto: nossa saúde, nossa casa, trabalho, comida, pela nossa família...

Obrigada, meu Deus, por tantas bençãos na minha vida !
Obrigada por saber o que é ser mãe... 
...por amar e ser amada pelo meu filho !
Obrigada... muito obrigada !

E você ?
Já agradeceu hoje a Deus por tudo o que você tem ?

Obrigado Débora pela sua colaboração.
Equipe Recanto! 

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O telefonema à meia-noite

Fonte da imagem: Google

"Uma das necessidades humana mais antigas é ter alguém para se perguntar onde você está quando não volta para casa à noite." Margaret Mead

     Todos nós conhecemos a sensação de receber aquele telefonema no meio da noite. O telefonema daquela noite não foi diferente. Pulando da cama para atender àquela convocação tilitante, focalizei os números vermelhos e luminosos do relógio. Meia-noite. Pensamentos aterrorizantes enchiam minha mente, um tanto atordoada pelo sono, quando agarrei o fone.

     -Alô?
     Com o coração ribombando dentro do peito, segurei o fone com mais força ainda e olhei para meu marido, agora de frente para mim.
     -Mamãe? - A estática mal permitia que eu ouvisse o sussurro. Mas meus pensamentos imediatamente voltaram-se para minha filha. Quando o som desesperado de uma voz jovem e chorosa ficou mais nítido  através da linha telefônica, tateei em busca de meu marido e pressionei seu punho.
     -Mamãe eu sei que é tarde. Mas não...não diga até eu terminar. E antes que você pergunte, sim, eu andei bebendo. Quase perdi a direção e saí da estrada há alguns quilômetros e...
     Resfoleguei - um arquejo brusco, entrecortado. Soltei meu marido e pressionei a mão de encontro a testa. O sono ainda anuviava a minha mente e tentei vencer o pânico. Algo não estava certo.
     -Fiquei tão assustada. Só conseguia pensar no tamanho da sua dor se um policial batesse à sua porta para lhe dizer que eu estava morta. Eu quero...eu quero ir para casa. Sei que você está doente de tanta preocupação. Eu deveria ter ligado há dias, mas estava com tanto medo...com tanto medo...
     Soluços do mais profundo sentimento fluíram de dentro do fone e desaguaram no meu coração. Imediatamente visualizei o rosto de minha filha e meus sentidos enevoados pareceram clarear.
     -Acho...
     -Não! Por favor, deixe-me terminar! Por favor! - ela implorava, menos por zanga do que por desespero.
     Fiz uma pausa e tentei pensar no que dizer. Antes que pudesse ir em frente, ela continuou:
     -Estou grávida, mamãe. Sei que não deveria estar bebendo agora...justamente agora, mas estou com medo mamãe. Com tanto medo!
     A voz se calou outra vez e eu mordi o lábio sentindo os olhos umedecerem. Olhei para o meu marido sentado, imóvel, fazendo movimentos com a boca sem emitir um único som. "Quem é?"
     Balancei a cabeça, e como não respondi, ele pulou da cama e deixou o quarto, retornando segundos depois com o sem-fio colado ao ouvido.
     Ela deve ter ouvido o clique da linha, pois continuou:
     -Você ainda está me ouvindo? Por favor, não desligue! Preciso de você. Estou me sentindo tão sozinha.
     Apertei o telefone na mão e fitei meu marido em busca de orientação.
     -Estou aqui, eu não desligaria o telefone - disse eu.
     -Eu deveria ter lhe contado, mamãe. Sei que deveria ter lhe contado. Mas quando a gente conversa, você só fica dizendo o que eu devo fazer. Lê todos aqueles folhetos sobre como conversar com os filhos sobre sexo, e tudo o mais, mas só faz falar. Você não me escuta. Nunca deixa eu lhe dizer como me sinto. É como se o que sinto não tivesse importância. Como você é minha mãe, acha que tem todas as respostas. Mas algumas vezes não preciso de respostas. Só quero que alguém me escute.
     Engoli o bolo que se formava em minha garganta e fiquei olhando, fixamente para os folhetos de "Como conversar com seus filhos" espalhados sobre a mesinha-de-cabeceira.
     -Estou ouvindo - sussurrei.
     -Sabe, lá na estrada, quando consegui controlar o carro outra vez, comecei a pensar no bebê, em cuidar dele. Então, vi o telefone público e foi como se pudesse ouvir você dizer que ninguém deve beber e dirigir. Então chamei um táxi. Quero ir para casa.
     -Que bom, meu bem - afirmei, o alívio inundando o meu peito.
Meu marido chegou mais perto, sentou-se ao meu lado e entrelaçou os dedos nos meus. Compreendi, pelo toque, que ele achava que eu estava fazendo e dizendo a coisa certa.
     -Mas sabe, acho que já consigo dirigir.
     -Não! - Vociferei. Meus músculos enrijeceram e eu apertei ainda mais a mão do meu marido. - Por favor, espere o táxi. Não desligue até o táxi chegar.
     -Eu só quero ir para casa, mamãe.
     -Eu sei. Mas faça isso pela mamãe. Espere o táxi, por favor.
     Fiquei ouvindo aquele silêncio, amedrontada. Quando a resposta não veio, mordi o lábio e fechei os olhos. De alguma maneira, eu precisava impedir que ela dirigisse.
     -Pronto, o táxi chegou.
     Só senti a tensão diminuir quando ouvi alguém ao fundo perguntar sobre o táxi.
     -Estou indo para casa, mamãe. - Então fez-se um clique e o telefone ficou mudo.

     Levantando da cama com lágrimas formando em meus olhos, atravessei o corredor e fui até o quarto de minha filha de dezesseis anos. O silêncio sombrio fazia pesar o ar. Meu marido chegou por trás de mim, passou os braços em torno de meu corpo e pousou o queixo no topo de minha cabeça.
     Sequei as lágrimas das faces.
     -Precisamos aprender a escutar - disse-lhe.
     Ele me virou para que eu pudesse encará-lo.
     -E vamos aprender. Você vai ver. - Então me abraçou e eu afundei a cabeça em seu ombro.
     Deixei que ele me abraçasse por diversos minutos, então me afastei e cravei os olhos na cama. Ele me fitou por um instante e, então, perguntou:
     -Acha que algum dia ela vai se dar conta de que discou o número errado?
     Olhei para nossa filha, adormecida, e novamente para ele.
     -Talvez não tenha sido tão errado assim.
     -Mãe, pai, o que é que vocês estão fazendo? - perguntou aquela vozinha jovem, chegando abafada de debaixo do cobertor.
     Aproximei-me de minha filha, que agora se encontrava sentada, olhos fitando a escuridão.
     -Estamos treinando - respondi.
     -Treinando o quê? - murmurou ela, deitando-se outra vez sobre o colchão, os olhos já fechados, o sono chegando.
     -A escutar - disse eu, bem baixinho, roçando a mão levemente em sua face.

Autora: Christie Craig
Fonte: Histórias para Aquecer o Coração das Mães

Essa  história me emocionou profundamente, então desejei compartilhá-la com vocês, mesmo sendo tão longa.

Que possamos aprender a ouvir mais as pessoas, e sermos usados por Deus para abençoar as suas vidas, principalmente os que estão sempre ao nosso redor, os que amamos.

Uma semana abençoada pra todos!

Cainhosamente...Cida do *Compartilhando...

sábado, 2 de abril de 2011

Ver o filho jogar futebol....Ai meu Deus!

Como já mencionei em outro post o Rafael era ligado no 220W e para suprir tanta energia eu matriculei ele no judô, na natação e no futebol.
Ele jogou futebol durante muito tempo e adorava participar dos campeonatos. Não era o craque do time, mas para mim isso não importava. Vê-lo em campo já era motivo de orgulho e de satisfação. Mãe é mãe!
Lembro-me de um treinador que ele teve na escola. O cara era bom no que fazia, mas seu modo de incentivar a garotada era: “vai lá, não para não, corre, você tá mole hoje, vai começar o jogo ou vai ficar dançando no campo, passa a bola, olha pro lado, chuta vai chuta logo …..” tudo no grito, mas gritooooooooooooo mesmo!
Meu marido dizia que isso era normal em jogo e que todo técnico era assim, mas eu como mãe não queria ninguém gritando com meu filho. Achava aquilo o fim.
O Rafael não ligava, falava que o treinador não estava brigando, mas encorajando a turma a jogar.
Até hoje quando assisto a alguma partida na televisão acho muito estranho o técnico se estressar tanto. As vezes dou risada da cena, mas…
Lembro-me de um jogo em que um pai de um garoto ficava o tempo todo gritando para turma passar a bola pro filho dele e falava que só tinha perneta em campo. Isso me dava uma raiva…
Uma vez, o Rafael foi disputar a bola com outro garoto e tomou um chute na canela. Fratura na hora. Saiu do campo direto para o hospital. Ficou 50 dias com gesso e tendo que usar muleta.

Pensei….ultimo jogo! Que nada!….Assim que teve alta médica começou a treinar novamente. Aí desisti de assistir as partidas e deixava somente meu marido ir junto.
Ele não virou um ídolo famoso do futebol mundial…rsrsr….mas tem muita história para contar no futuro para seus filhos.